O sonho americano virou pesadelo para Ubiratan Rodrigues da Nova, 41, caminhoneiro brasileiro que há seis anos mora em Orlando, na Flórida, com sua esposa Fabíola da Costa, 31, e os três filhos. Após um mal súbito grave que deixou Fabíola em estado vegetativo, a família tenta, sem sucesso, retornar ao Brasil para buscar melhores condições de cuidado e reduzir os custos crescentes do tratamento.
Segundo apurado pelo Blog do Marcelo, Fabíola teve três paradas cardíacas após desmaiar em casa no final de 2024, enquanto Ubiratan estava em uma viagem de trabalho pelo Texas. O filho mais velho do casal, Arthur, 17, que havia chegado aos Estados Unidos há poucos meses, conseguiu levar a mãe ao hospital mesmo sem saber dirigir direito — um ato corajoso que salvou a vida dela, mas não evitou sequelas graves.

Após sete meses internada, Fabíola teve alta médica em abril, mas permanece dependente de cuidados intensivos em casa. Os médicos americanos indicaram que não há perspectiva de recuperação neurológica significativa. Ainda não foi identificada a causa do mal súbito, embora exames tenham sido feitos para detectar problemas cardíacos ou trombose.

“Ela sempre foi saudável. Foi algo inesperado”, contou Ubiratan, visivelmente abalado. “É uma dor na alma olhar para ela assim todos os dias.”
O sustento da casa e dos filhos recaiu inteiramente sobre Ubiratan, que precisou abandonar o trabalho como caminhoneiro, onde chegava a ganhar até 1.500 dólares por semana, mas exigia longos períodos fora de casa. Hoje, ele sobrevive com doações de amigos, colegas caminhoneiros, membros da igreja e da comunidade brasileira nos EUA.

As despesas médicas também esmagaram o orçamento familiar. Mesmo com seguro saúde, o plano não cobriu transporte hospitalar nem equipamentos necessários para os cuidados em domicílio. Só as ambulâncias utilizadas durante o tratamento somaram cerca de 6 mil dólares.
Com o objetivo de trazer Fabíola de volta ao Brasil, Ubiratan criou duas vaquinhas online: uma no GoFundMe, nos EUA, com meta de US$ 250 mil (cerca de R$ 1,4 milhão), e outra no site Vaquinha, no Brasil, com meta de R$ 800 mil. O valor será usado principalmente para pagar uma UTI aérea, cujo custo pode ultrapassar R$ 1 milhão.

Além disso, parte do dinheiro pode ser usada para garantir o teto familiar, já que a família vive de aluguel e enfrenta dificuldades para manter as contas em dia. “Se a gente precisar, vai ter de usar esse dinheiro para não ser despejado”, afirmou.
Ubiratan informou ainda que buscou ajuda do consulado brasileiro nos EUA, mas foi informado de que não há previsão de apoio governamental para esse tipo de traslado. A situação financeira é tão crítica que ele cogita voltar a trabalhar como caminhoneiro, mesmo com todas as responsabilidades em casa.
Enquanto aguarda a resposta da sociedade e a definição sobre o futuro da família, Ubiratan mantém a fé. “Tem de ser pai, mãe, enfermeiro, médico, tudo ao mesmo tempo. Mas Deus tem dado forças.”















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