Oswaldo de Oliveira ainda nem completou um mês no comando do Atlético-MG. Fez apenas quatro jogos e tem focado as energias na busca pelo reequilíbrio e no retorno da confiança ao time, que vinha pecando nesses quesitos em outros momentos da temporada. Taticamente, porém, ele também visa, aos poucos, acertar alguns detalhes. No entanto, alguns dilemas aparecem. É o caso, por exemplo, do posicionamento de Elias e da dupla Cazares e Robinho.
Dilema #1: a “volância” e o posicionamento de Elias
O volante, desde sempre, tem como principal característica o bom posicionamento ofensivo e a boa chegada ao ataque. Foi contratado justamente para colaborar com a criação do time, além, claro, de fazer o papel defensivo. Só que o atual posicionamento não o favorece. O Galo está jogando com apenas dois volantes – Adilson é o outro titular -, e Elias tem ficado preso. No jogo contra o Sport, no último domingo, isso ficou nítido: ele pouco colaborou ofensivamente durante todo o jogo, mas se mostrou mais solto após as entradas e Roger Bernardo e Yago, outros dois volantes. O primeiro, inclusive, está em boa fase e pedindo passagem.
Seria a solução, então, a entrada de Roger Bernardo na equipe titular e a “liberação” de Elias para atacar mais? Ou Elias merece ser sacado do time? Ouvimos a opinião de Henrique Fernandes, comentarista da TV Globo Minas, que explica por que Elias tem ficado mais preso na marcação com o atual esquema.
– Nesse sistema que tem sido utilizado pelo Oswaldo, há espaço apenas para dois volantes. Sem Luan, que é um meia que volta bastante, e com Cazares e Valdívia abertos pelos lados, os volantes precisam ter uma atenção ainda maior à dosagem das subidas ao ataque, para que o time esteja sempre equilibrado na defesa. Um caminho seria aproveitar a boa entrada de Roger Bernardo no time para consolidá-lo na equipe. Seria um sistema com três volantes, com Roger mais fixo. Elias teria mais liberdade para chegar à frente quando o time estiver com a bola. Sem Elias no time, com Adilson e Roger fixos, a adaptação defensiva também pode ser facilitada, já que Roger e Adilson são mais acostumados ao posicionamento defensivo. A questão é que não se pode dispensar a qualidade do Elias na chegada ao ataque. Acho que Oswaldo vai seguir com ele no time por isso, apostando na recuperação e na adaptação dele ao sistema que já vem utilizando.
Dilema #2: o posicionamento da dupla Cazares e Robinho
A física explica que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. A lei vale para o futebol. Cazares e Robinho têm características diferentes, mas com uma semelhança primordial: rendem mais ocupando o mesmo lugar do campo: o meio. Todos os treinadores que o Atlético-MG teve na temporada sofreram com o dilema, mas deram soluções diferentes. Como fazer para Cazares e Robinho renderem bem e juntos? Roger tentou, mas Robinho caiu de produção jogando pelos lados. Micale colocou Robinho no banco e bancou Cazares no meio. Oswaldo de Oliveira tem feito o contrário: colocou o “Rei das pedaladas” pelo meio e deslocou Cazares para o lado direito. O resultado? O equatoriano caiu de produção. Henrique Fernandes explica o motivo.
– Os jogadores que atuam abertos pelos lados têm obrigações defensivas. Precisam compor a segunda linha de marcação e voltar alguns metros no campo para que estejam próximos da primeira linha de defesa quando o adversário tiver a bola no campo de ataque. No sistema atual, Cazares tem feito esse trabalho defensivo pela direita. Isso faz com que ele tenha que correr mais pelo campo e não permite que ele esteja sempre mais à frente para explorar os contra-ataques. Ideal é que Cazares assimile ao máximo a forma de jogar do Atlético para poder ser eficiente na defesa e no ataque.
Henrique também comenta o “dilema” do posicionamento dos dois – que não foi resolvido por nenhum treinador até aqui.
– É o grande desafio do Atlético taticamente na temporada. Nem Roger, nem Micale, e nem Marcelo Oliveira, em 2016, conseguiram extrair o máximo dos dois atuando juntos em uma sequência de partidas. Uma alternativa poderia ser Robinho mais avançado, como falso 9, algo que já fez na Seleção, com Cazares atuando por dentro na linha de três, como Robinho vem jogando. O problema é que isso custaria o lugar de Fred na equipe. Enfim, é difícil. Qualquer adaptação para ter os três (Robinho, Cazares e Fred) vai passar por um dos dois mais leves atuando aberto, o que demanda um sacrifício desse jogador na marcação.
Mudar agora é possível?
Além dos desafios de encaixa do time, Oswaldo tem mais uma variável para levar em consideração quando pensa e faz mudanças táticas no time: a temporada está acabando, e mudanças grandes e constantes podem ser prejudiciais, como o próprio treinador analisa.
– É difícil a gente fazer muita modificação, implantar muitos detalhes, porque os jogos estão correndo, a equipe já tem uma maneira de jogar, os jogadores acostumados. Muita mudança acaba confundindo e tirando uma parte daquilo que a gente quer. O que tenho procurado estimular é a perseverança defensiva, precisamos estar atentos, limitar muito a possibilidade do adversário. Não dá para fazer muitas mudanças para não confundir, estamos no terço final da temporada. É avançar com calma, olhar para cada jogo e tentar ir solucionando da maneira que é possível.
A resolução do dilema parece não ser simples, mas, no momento, ela não é a prioridade. O time precisa de resultados. O caminho parece ser, mesmo, o de pensamento jogo após jogo. No momento, as vitórias e a vaga na Libertadores são os objetivos principais do Galo, que precisa, também, planejar a próxima temporada, como comenta Henrique Fernandes.
– Encaixar Robinho e Cazares não pode ser uma obsessão do Oswaldo. Além de obter resultados para tentar uma vaga na Libertadores, é importante que o treinador planeje o time para 2018. Um time que não deve ter Robinho, que ainda não foi procurado para renovar, mas ainda terá Otero e Luan, por exemplo, jogadores que se mostraram úteis ao ataque atleticano em alguns momentos. Acho que não é momento para mudanças profundas, mas pontualmente, pode valer fazer algumas modificações em busca do melhor time possível.















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