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Após noite tensa com torcida do Atlético-MG, Elias ganha moral e tenta acordo de paz

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O volante Elias, camisa 7 do Atlético-MG, viveu uma noite de emoções opostas no Independência, na vitória atleticana por 1 a 0 sobre o Bahia. Das vaias aos aplausos, da bronca ao reconhecimento. Ele saiu de campo muito aplaudido e como um dos destaques do jogo, mas o caminho até lá foi tortuoso e com altos e baixos.

Momento #1: o recuo que irritou a galera

Aos 37 minutos do primeiro tempo, o placar ainda mostrava 0 a 0. O Atlético-MG, melhor no jogo, tentava pressionar e estava todo no ataque. Após uma bola rebatida, ela ficou com Elias no meio-campo. De costas para o gol e pressionado por um adversário, ele recuou a bola para o goleiro Victor, que saiu jogando. Parte da torcida, impaciente e ansiosa, ficou na bronca e reclamou muito. Vale destacar que Elias não fazia um mau jogo até aquele momento. Pelo contrário: era um dos mais lúcidos do time.

O episódio foi suficiente para fazer com que parte da torcida começasse a expressar a insatisfação com o camisa 7. Dali para frente, foi possível notar um início de vaias em todas as vezes que Elias pegava na bola. Quando os resmungos apareciam, também havia quem aplaudisse e gritasse o nome de Elias. O Horto estava dividido entre apoiadores e “cornetas”, e foi assim até o fim do primeiro tempo.

Momento #2: a paz venceu

Os jogadores foram para o vestiário e, na volta, a torcida percebeu que era hora de apoiar. Um grupo puxou os gritos de “Elias! Elias!”, que foram acompanhados pela maioria dos torcedores no estádio. O camisa 7 ouviu e retribuiu com aplausos direcionados à arquibancada. Ali, jogador e torcida faziam um pacto de paz. Precisavam da união para buscar o resultado.

Deu certo. No segundo tempo, o Atlético-MG melhorou de rendimento, marcou o gol que precisava e, apesar de ter Fábio Santos expulso, segurou a vantagem mínima até o fim. Todos os jogadores se dedicaram para suprir a desvantagem numérica, e os três pontos foram conquistados. Elias, que teve a torcida ao lado nos 45 minutos finais, saiu de campo com moral.

Momento #3: o pós-jogo e a entrevista

Já de banho tomado e com o Horto vazio, Elias conversou com os jornalistas na zona mista do Independência. Comentou a relação intensa que tem com a torcida do Atlético-MG e fez um pedido: que não vaiem durante as partidas.

– Torcedor é emoção. Nós temos que usar mais a razão. O que eu falo é que a gente não gosta de ser vaiado durante o jogo, isso dá força para o adversário. O jogo já é difícil, 11 contra 11. Se o time não está jogando bem, a torcida fica insatisfeita, vaia a equipe e dá mais confiança para a equipe adversária. E tira nossa confiança. Vaias, quando são justas, são merecidas. A gente não gosta de ser vaiado, mas depois do jogo a torcida pode fazer o que quiser se tiver insatisfeita. (Contra o Bahia, a torcida) nos ajudou muito, cara. Torcedor do nosso lado ajuda muito. Dá confiança, passa energia positiva. Por isso a bola (do Bahia) não entrou. É isso que a gente pede.

Além de ocupar bem os espaços, aparecer bem na frente e mostrar qualidade, Elias apresentou, contra o Bahia, muita intensidade. Luta, entrega, aquilo que o torcedor do Atlético-MG, historicamente, mais gosta. Deu carrinho, roubou bola, fez as faltas que tinha que fazer. Também por isso, teve o justo reconhecimento. Após a tempestade, vem a calmaria. Não há dúvida que o “casamento” entre Elias e o torcedor atleticano, após o jogo desse sábado, deu um passo importante na direção de uma relação mais tranquila.

– O mais importante é que a gente recuperou a confiança. Lutou, se empenhou. Fez o que a torcida do Atlético gosta – disse Elias.

“Termômetro”

Quem também falou sobre Elias, além dele próprio, foi Victor. O goleiro fez coro no pedido de trégua direcionado aos torcedores que pegam no pé do camisa 7. E fez vários elogios ao colega.

– A gente sabe o que ele representa. A qualidade, o potencial e o comprometimento que ele tem. Às vezes o torcedor fica um pouco impaciente por um erro ou outro, mas é um jogador que participa muito da partida. Ele jamais se omitiu, jamais deixou de fazer o que sabe. Eventualmente vai errar, mas nunca vai errar por omissão. Se dedica demais, é super competitivo, sempre quer vencer. Quando o torcedor abraçou, realmente cresceu de produção, assim como toda a equipe. A gente sabe que o Elias é um termômetro. Quando ele está bem, a equipe joga bem. É importante que o torcedor reconheça o comprometimento dele – pediu.

Elias também falou sobre a relação direta entre o bom desempenho coletivo e seu bom rendimento individual. Para ele, porém, a resposta é em direção contrária: quando o time está bem, ele também está.

– Acho que a minha evolução é notória. A equipe vem jogando bem. Sempre falo: quando a equipe joga bem, não consigo jogar muito mal. Sempre acompanho. A equipe está bem, automaticamente vou crescer também – concluiu o camisa 7, um dos protagonistas da noite de sábado no Horto.

Como recebeu o terceiro cartão amarelo contra o Bahia, Elias está suspenso para o próximo compromisso do Atlético-MG, quarta-feira, às 19h30 (de Brasília), contra o Internacional, no Beira-Rio.


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