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Salvadorenhos deportados dos EUA são mortos e vítimas de abusos, diz relatório

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Um relatório intitulado Deported to Danger, apresentado esta quarta-feira pela Human Rights Watch, estima que cerca de 138 salvadorenhos deportados dos Estados Unidos para país de origem tenham sido assassinados e cerca de 70 tenham sofrido abusos e agressões sexuais. Os autores desses abusos incluem membros de gangues, polícias ou seguranças.

“As autoridades americanas colocaram, conscientemente, os salvadorenhos em perigo, enviando-os diretamente para situações de assassinatos e ataques à sua segurança. Os salvadorenhos estão a enfrentar assassinatos, violações e outro tipo de violência, desde que a deportação aconteceu”, declarou a diretora administrativa do Programa dos Estados Unidos da Human Rights Watch, Alison Parker. Parker acrescentou que “tudo isto acontece enquanto o Governo norte-americano continua a restringir o acesso dos salvadorenhos ao asilo e fecha os olhos aos resultados das suas políticas insensíveis”.A maioria das mortes documentadas pela Human Rights Watch no relatório acontece menos de um ano depois do regresso dos deportados.

Com cerca de seis milhões de habitantes, El Salvador é um dos países do mundo com maior taxa de homicídios e violência sexual. Nos últimos dez anos, cerca de 11 mil pessoas foram dadas como desaparecidas. As autoridades são, na maioria das vezes, ineficazes na proteção da população contra a violência, que é, na maioria das vezes, provocada por gangues de rua – com mais de 60 mil membros em todo o país, refere o jornal britânico The Guardian. “Os Estados Unidos devem saber que isto está a acontecer, porque os casos forma divulgados publicamente e, mais importante, porque os salvadorenhos deixam claro no expedidos de asilo que esta é a sua realidade”, declarou Elizabeth Kennedy, coautora do relatório.Em 2019, a ONU informou que o número de assassinatos em El Salvador diminuiu. Contudo, o país ainda tem uma das maiores taxas do mundo. Entre 2014 e 2018, os Estados Unidos deportaram cerca de 111 mil salvadorenhos de volta ao seu país.

De acordo com o relatório, o Direito Internacional vinculativo para os Estados Unidos proíbe o retorno de “qualquer pessoa a um país onde eles possam enfrentar sérios riscos de vida ou falta de segurança”. Dos 1,2 milhões de salvadorenhos que vivem nos Estados Unidos, cerca de três quartos carecem de documentos ou possuem um estatuto legal temporário, o que os torna mais vulneráveis à deportação. As deportações aumentaram desde que Donald Trump criou uma série de políticas relacionadas com a imigração, como Protocolos de Proteção à Migração e impôs restrições rígidas sobre os motivos de asilo. Elizabeth Kennedy diz que as políticas de Trump colocaram “ainda mais salvadorenhos – e outros – em risco de deportação e tornou muito menos provável que eles possam apresentar o seu caso para obter proteção efetiva”, cita The New York Times. O relatório afirma que a pesquisa foi feita através de várias entrevistas e reportagens. Contudo, o número real de assassinatos é provavelmente muito maior do que os que estão presentes no documento, uma vez que a maioria dos crimes, que acontecem em El Salvador, não são relatados. // RTP.


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Social Press . 06/02/2020

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