Roberto Azevêdo, diplomata brasileiro de 62 anos, anunciou a decisão aos delegados da OMC na quinta-feira passada. Ele é o diretor-geral da organização desde setembro de 2013 e seu segundo mandato de quatro anos começou em setembro de 2017. Azevêdo disse que vai renunciar ao cargo a partir de 31 de agosto.
Sua saída vem em um momento precário para uma economia global que está sofrendo a pior crise desde a Grande Depressão por causa da pandemia do coronavírus, com um recuo do comércio mundial projetado para mínimos históricos e políticas comerciais se tornando uma questão política controversa de Bruxelas a Pequim. Internamente, o órgão comercial baseado em Genebra já estava lutando com uma série de crises antes do golpe no comércio internacional. O chefe da OMC, citando o caos, disse que ele não é o homem certo para o trabalho Azevêdo, em uma entrevista, procurou explicar o momento.
“É o melhor para mim, minha família e a organização”, disse, acrescentando que não é por razões de saúde ou outras ambições políticas. “Não estamos fazendo nada agora – sem negociações, tudo está preso. Não há nada acontecendo em termos de trabalho regular”. A OMC tornou-se um símbolo de mal-estar multilateral após o fracasso em concluir a rodada de negociações de Doha. Mais recentemente, o órgão comercial passou a receber críticas do governo Trump, que argumenta que a China não cumpriu seus compromissos de 2001 de abraçar uma economia mais voltada para o mercado. Agora, a incapacidade de Pequim de conter a crise de saúde tem encorajado as críticas à OMC, particularmente dentro do governo Trump e entre seus aliados no Congresso.
O senador republicano Josh Hawley disse em um artigo de opinião do New York Times em 5 de maio que a OMC era uma “relíquia” ultrapassada que deveria ser abolida para que os EUA pudessem combater melhor o “imperialismo” chinês. Hawley está convocando uma votação do Congresso este ano para que os Estados Unidos saiam da OMC. Após a notícia da decisão de Azevedo de sair, o senador tuitou: “apague as luzes quando sair”. A OMC tem três funções principais: ajudar a negociar acordos comerciais multilaterais, resolver disputas comerciais nas fronteiras e servir de repositório para as políticas comerciais dos membros. As duas primeiras estão essencialmente mortas, em parte por causa de um ataque de Washington.
Pelo menos três candidatos já anunciaram sua intenção de substituir o brasileiro: Abdelhamid Mamdouh, advogado egípcio da King & Spalding LLP e ex-diretor da Divisão de Comércio de Serviços e Investimentos da OMC. Yonov Frederick Agah, da Nigéria, diretor-geral adjunto da OMC Eloi Laourou, embaixador do Benin na ONU Em um artigo do New York Times, na terça-feira, o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, disse, sem destacar a OMC, que os EUA perderam pelo menos 2 milhões de empregos desde 2001. Na quinta-feira, Lighthizer disse em uma declaração que enquanto Azevêdo será “difícil de substituir”, os EUA “esperam participar do processo de seleção de um novo diretor-geral”.















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