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Em Xangai brasileiros relatam dificuldades após um mês de lockdown

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No começo de 2020, quando ficou claro que a Covid-19 seria uma crise séria que traria problemas aos sistemas de saúde de todo o mundo, a dançarina Fabiane Fonseca, hoje com 35 anos, diz que não se sentiu com medo por estar na China, no epicentro da epidemia, onde mora há seis anos.

“O protocolo de segurança era rígido, mas sempre foi muito funcional, e no fim eu me sentia segura.”

Pouco mais de dois anos depois, proibida há mais de um mês de sair de casa em Xangai, polo financeiro do país, a impressão mudou. “Esse ano foi um choque. A gente já sabia como era a política de ‘Covid zero’, já via lockdowns acontecendo desde o ano passado em outras cidades, mas era uma quarentena de 14 dias. Quando começaram a fazer os testes aqui, jamais imaginamos que chegaria a esse ponto”, conta, referindo-se à extensão da medida e ao envio de infectados a centros de confinamento longe de casa.

Brasileira é impedida de sair de casa há 37 dias na China e relata desespero | ND Mais

A variante ômicron, muito mais contagiosa, furou as rígidas barreiras que a China construiu contra a doença a “Covid zero” dificultou a entrada no país, impôs testes em massa e chegou a zerar as contaminações. Agora, o regime dobra a aposta na medida, sob protestos da população, em um momento em que Xangai tornou-se o centro da crise no país. Em 18 de abril, a cidade registrou oficialmente as primeiras mortes por Covid em dois anos. Hoje já são 490, 16 das quais na terça-feira (3).

Desde 10 de março sem trabalho, já que os espetáculos de dança estão suspensos, Fabiane relata que precisou contar com a compreensão do dono do apartamento onde vive para adiar o pagamento do aluguel, de cerca de R$ 4.000. “Eu tinha alguma reserva, mas a situação é muito difícil, muito instável.”

Ela diz que as cestas de alimentos distribuídas na cidade chegaram pouquíssimas vezes nos bairros mais afastados, como o dela, e a maior parte se concentrou no começo da quarentena. “O preço das coisas dobrou, e a gente só consegue fazer compras em quantidades enormes, em grupos grandes.”

Brasileiro relata situação em Xangai com lockdown imposto pelo governo  chinês - TV Gazeta

Hoje, ela tenta juntar dinheiro para deixar o país, o que espera que aconteça até o final do ano. Uma pena, diz, porque ela conta ter encontrado na China um lugar onde seu trabalho como dançarina é mais valorizado do que no Brasil, situação que mudou ao longo da pandemia, em sua visão, depois que o país asiático controlou a doença enquanto outras nações do mundo enfrentavam surtos mortais.

O movimento para deixar o país asiático acelerou agora, mas já vinha em curso ao longo da pandemia de coronavírus em 2021, a cidade foi residência legal de 164 mil estrangeiros, contra 215 mil em 2018.

No domingo, o governo da cidade começou a permitir que residentes de cinco dos 16 distritos, onde vive cerca de um quinto da população, saia brevemente, lotando os poucos mercados abertos ao público.

Outras cidades também apertam as regras. Nesta terça, Zhengzhou, na região central do país, onde vivem 12,6 milhões de habitantes, anunciou restrições de 4 a 10 de maio. Pequim foi na mesma direção, suspendendo o funcionamento de mais de 60 estações de metrô —cerca de 15% da rede da capital— e de 158 rotas de ônibus e estendendo o fechamento das escolas por mais uma semana. Quem quiser entrar ou sair da cidade também precisará de um teste com resultado negativo realizado há menos de 48 horas.


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