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Cidade de Hong Kong transformou escadas rolantes em meio de transporte público

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Em Hong Kong, escadas rolantes são um meio de transporte público: a Escada Rolante Central-Mil Levels, por exemplo, transporta 85 mil pessoas por dia.

Nas manhãs, por exemplo, fiéis muçulmanos a utilizam para ir à mesquita. Mas 12 horas mais tarde, a cena muda de vez: um rugido de música e conversas em voz alta escapa dos bares de boates.

É nesse horário que a escada rolante mistura trabalhadores de escritório terminando a longa jornada do dia com a turma que se prepara para a noitada.

Cidades com colinas sempre encontraram maneiras criativas de transportar seus cidadãos por terrenos mais acidentados.

San Francisco, por exemplo, tem os bondes. Lyon e Barcelona, os funiculares. E o Rio de Janeiro acena com os teleféricos. Mas Hong Kong foi a primeira a usar a escada rolante como transporte.

Em meados da década seguinte, a área estava superlotada, com uma população de 45 mil pessoas prevista para dobrar nos 20 anos seguintes. Diariamente, o esgoto de canos sobrecarregados vazava para as galerias pluviais. As ruas do distrito estavam entupidas de carros, táxis e ônibus.

A solução apresentada pelo governo da ilha foi idealizar uma rede de escadas rolantes e esteiras que poderiam carregar os pedestres ladeira acima.

O projeto-piloto aprovado envolvia 20 escadas rolantes e três esteiras, que se espalhariam por 800 metros de extensão e subiriam 150 metros. De manhã, elas funcionariam no sentido de descida para a hora do rush – e passariam a subir a partir de 10h30.

À época, lojistas ao longo da rota odiaram o plano e pediram indenizações pela perda de potenciais clientes.

A obra custou US$ 28 milhões, estourando em mais de seis vezes o orçamento original.

“Talvez tenha um pouco irrealista esperar que a escada rolante reduzisse substancialmente o fluxo nas ruas”, disse, durante uma audiência na Câmara Legislativa, o então secretário de Transportes de Hong Kong, Haider Barma.

Mas ela tornou a rotina de muita gente mais conveniente. Mesmo judeus ortodoxos se dirigindo à sinagoga de Robinson Road receberam autorização para usá-la aos sábados – o dia sagrado em que não é permitido dirigir, de acordo com a Lei Judaica.

E o sistema foi bastante bem-sucedido em um aspecto: valorizou o mercado imobiliário. Bairros em seu percurso hoje são alguns dos mais caros em Hong Kong.

E há uma má notícia para as dezenas de milhares de pessoas que usam diariamente a Central-Mid Levels: elas terão de buscar uma alternativa no ano que vem, quando o sistema passará por uma rigorosa manutenção para a substituição de peças desgastadas por 25 anos de uso diário.


Agenda Cultural 29/11/18, by Roger Costa

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