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Léa Campos: Que Vai Mandar no Mundo?

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Assim inicia a música sertaneja: “Quem vai mandar no mundo, eu sei quem é, quem vai mandar no mundo é a mulher…”
Aos poucos vamos ocupando espaços antes impossíveis para as mulheres.
Somos teimosas e quando queremos, conseguimos, ainda que tenhamos que abrir mão de algumas coisas que aparentemente eram mais importantes.
Hoje vemos mulheres se desenvolvendo em todos os setores, desde os mais sofisticados até os mais rudes.
Temos mulheres presidindo alguns países, apesar de algumas não terem noção do que é ser uma mandatária, (como vem acontecendo no Brasil, por exemplo), advogadas, engenheiras, médicas, professoras, assim como temos mulheres trabalhando na construção, em caminhões coletores de lixo, nas fazendas domando animais, ordenhando e nos mais variados tipos de esporte, não levando em conta o perigo de alguns.
Temos mulheres participando de corridas de carro, arriscando suas vidas num trapézio de circo, enfim as mulheres de hoje não escolhem caminhos fáceis e o medo não faz parte da rotina delas.
Estamos vendo uma índia do Amazonas, da tribo Kasapãna, lutando com seu arco para representar sua etnia nas Olimpíadas.
Graziela Paulino dos Santos, a Yaci, com19 anos, venceu a seletiva do tiro com arco e está a cada dia que passa mais próxima da Olimpíada.
Graziela sabe que o caminho a percorrer é competitivo e longo, sabe que outras tribos buscam uma vaga nas Olimpíadas Rio 2016, mas confia em sua habilidade com o arco, que sempre usou para caçar.
Os indígenas sabem que terão que participar das quatro etapas da seletiva final, que acontecerá entre março e abril, a competição determina que os dois que vencerem mais confrontos serão convocados para o Rio-2016 e a comissão técnica aponta outros dois, dos quatro sairão três titulares por equipe, que competirão na chave simples e quem será reserva.
A seletiva reúne 60 arqueiros, para selecionar cinco atletas de  cada naipe, para a disputa final, que contará com os integrantes da seleção, entre os quais estão Marcos Vinicius D’Almenda e Sarah Nikitin, os melhores até agora como um todo.
A última  vaga (masculino) ficou com outro indígena, Nelson Silva Moraes, o Inha Quira, da tribo Kameba, o mais jovem da competição com apenar 15 anos, mas os resultados do último fim de semana, mostraram que a chance dele ficar com uma das três vagas é bastante pequena.
Yaci, (Graziela) orgulho de sua tribo, vitoriosa no vestibular, cursa Ciências Contábeis, além de fazer parte da Fundação Amazonas Sustentável, apesar de tudo nunca abandona seu arco e treina nas horas que lhe sobram.
Estaremos torcendo por Graziela e por Sara Nikitin nas próximas Olimpíadas, pedindo que os homens respeitem o universo feminino.
Não queremos usurpar o lugar de ninguém, queremos apenas nosso espaço em qualquer rama, afinal somos todos brasileiros, ainda que tentem nos transformar em cubanos .
Somos livres para lutar por nossos sonhos e ninguém vai barrar o êxito e a vitória das mulheres, somos maioria no mundo, por isso se nos unirmos podemos tudo o que queremos e que nos propusermos, ainda que os homens tentem impedir.
Sabemos que os homens continuarão lutando para nos derrotar, mas com inteligência e persistência os venceremos, a lei da física determina que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço, por isso exigimos que respeitem o nosso, se querem que respeitemos o deles.

Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.

Léa Campos


Social Press . 28/01/2016

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