Uma coisa é lutar sozinha contra muitos, outra bem diferente é a luta de muitos contra poucos.
É uma minoria que é contra a inclusão do futebol feminino no cenário futebolístico brasileiro, por isso nossa chance de vitória é muito grande.
Quando iniciei minha caminhada no futebol feminino, minha primeira meta foi a arbitragem.
Foram quatro anos de muita luta, provando o desnecessário para conseguir meu objetivo e minha insistência foi recompensada.
Com esta etapa vencida, comecei a lutar pelo futebol feminino, que por muitas vezes me causou problemas.
Uma caminhada que teve seu início na década de 60 persistiu até a década de 80.
Primeiro a Constituição em seu Decreto Lei 3.199 art. 54 de 1941, proibia que a mulher participasse de diversas modalidades esportivas, entre elas o futebol.
Para não nadar contra a maré, o Conselho Nacional de Desportos, órgão da CBF, apoiava e dificultava o máximo que podia, sem querer fazer uma abertura para as mulheres no futebol. Somente em 1979 a dita proibição do CND caiu depois de mudanças na legislação brasileira.
Liberado, as equipes começaram a surgir, algumas apadrinhadas por equipes profissionais, outras sem apoio lutaram até onde puderam.
As competições foram feitas, mas em definitivo o futebol feminino não decolou como precisava e aos poucos foi desaparecendo. As jogadoras que melhor se mostravam foram jogar fora do país, o que foi enfraquecendo ainda mais o sonho de quem lutava pelo futebol feminino.
Hoje são poucos os clubes que ainda acreditam na viabilidade do futebol feminino. Os dirigentes de times profissionais não querem investir no feminino por não acreditar no retorno financeiro, mas se fossem um pouquinho mais inteligentes usariam o futebol feminino para aumentar a arrecadação que anda tão baixa.
Para isso bastaria apoiar o futebol feminino e em concordância com a CBF promover os jogos femininos nas preliminares dos jogos profissionais.
Não se pode descartar uma ideia antes de testá-la.
A imprensa precisa apoiar nosso movimento e incentivar os clubes para apoiarem o futebol feminino.
A mídia tem um conceito equivocado sobre o futebol feminino. Se colocar à venda as transmissões conjuntas masculino feminino certamente terão um retorno maior.
Se o futebol feminino fosse deficitário não seria apoiado em todo o mundo, não é uma questão cultural e sim a cultura do medo, os que são contra a inclusão do futebol feminino sabem que quando a mulher se propõe a fazer algo o faz bem feito, esses pseudo-machistas têm medo de perder espaço para o futebol feminino.
Se estou equivocada provem o contrário e serei humilde o suficiente para me desculpar.
O futebol masculino, decepcionou o brasileiro, (quem não se lembra do vergonhaço 7 x 1? ) Quem sabe o feminino recupera a honra do esporte que mais amamos: o futebol e recoloca o masculino novamente em seu patamar?
Além do mais a prática de esporte seria uma forma de tirar tantas meninas das ruas, onde estão se prostituindo e enveredando no crime e na droga.
Por tentar não pagam nada.
Mulheres de fibra como a gaúcha Silvana Goellner e Lu Castro entre outras, acreditam ainda que sim, é possível reviver o futebol feminino em todo o país e não isoladamente como ocorre hoje.
A prova desta crença está no Museu do futebol em São Paulo, que resolveu abrir espaço para o “Visibilidade para o Futebol Feminino”, o que ocorrerá dia 19 de maio.
É uma chance que não podemos deixar passar.
Temos que nos unir e lutar juntas. A meta é uma só: fazer renascer o futebol feminino no Brasil.
Vamos unir forças ao sonho de tantas meninas que querem ser a Marta do futuro.
Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.
Léa Campos















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