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Léa Campos: Quando queremos, fazemos

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lea campos laurinha (1)

lea_camposE a história se repete! Vejo que minha vida está sendo vivida por outra garota que como eu gosta do futebol e sonha um dia ser profissional.
Eu também jogava com os meninos, era a única, pois as meninas não se atreviam, comecei a jogar com 6 anos na escola, na hora do recreio e no adro da igreja às tardes. Bem, minha história todos já conhecem hoje vou contar a história de Laurinha, a Pelezinha de São Carlos. O pai jogava e o irmão também e ela os acompanhava sempre.

Seu amor pelo futebol começou no colégio, quando as professoras ofereceram o ballet para as meninas e futebol para os meninos. Laurinha não aceitou e disse com firmeza que iria para o futebol, era a única menina a jogar com os meninos. Jogava sempre com meninos, pois as meninas não são agraciadas com escolinhas de futebol, imagine que se para as jogadoras já feitas falta verba, como aplicar dinheiro em crianças? É um erro, porque o adolescente busca a forma de conseguir jogar, enquanto nossas meninas, além do apoio familiar, precisam contar com simpatia dos que dizem gostar de futebol.

lea campos laurinha (2)Esta é a mentalidade dos mentores do futebol no Brasil. Imagine, com tanta violência e vícios norteando nossas crianças, o esporte seria uma porta aberta para conduzir essas meninas a ter um futuro promissor.
Laurinha é uma abençoada, porque os pais, irmãos e todo o entorno dela a apoia. Laurinha tem hoje 11 anos, 6 anos jogando futebol.
Apesar de gostar de outros esportes, tênis de mesa, vôlei, handball, etc., o que realmente a toca é o futebol. Sem dúvida Laurinha é o ídolo de suas coleguinhas de estudo, por ser a única que joga futebol, o que acontece nas aulas de educação física.
Tal como ocorreu comigo, o preconceito contra ela veio de uma mulher, os garotos a aceitam sem restrição. Jogando pela copa Pirassununga, Laurinha tropeçou no preconceito no jogo contra Limeira, após passar por determinado adversário, a mãe do menino gritou: ” DÁ UM MURRO NELA, O QUE ELA TÁ FAZENDO AÍ? LUGAR DE MENINA É EM CASA BRINCANDO DE BONECA”.
Sinceramente é desanimador, que uma mãe incentive o filho publicamente a praticar a violência. Entretanto Laurinha a Camisa 10 que nasceu com o futebol nas veias, não
desistiu de seu sonho e continua jogando para o bem do futebol feminino no Brasil. Como todas ou quase todas as crianças de hoje, seu ídolo é Neymar, mas pisca olhinho para Messi e Iniesta. No feminino sua simpatia é por Marta, mas gosta de Cristiane e Formiga.
Com seus 11 aninhos, estudante aplicada do Colégio La Salle São Carlos faz aniversário dia 28 de janeiro, medindo 1,53cm, não corre do perigo e enfrenta os adversários com respeito e responsabilidade. O pai colocou-a numa escolinha de futebol, que era mais recreação do que futebol. Lauro, o pai da jogadora precoce, acompanhava sempre a filha, o que acabou unindo os pais numa linda amizade e juntaram os que melhor se sobressaiam para jogar contra outras equipes, enfatizo que Laurinha nunca ficou de fora.
Os pais resolveram então alugar uma quadra para que os filhos pudessem jogar, jogavam futebol de salão. Rubão, avô de um dos atletas, conseguia jogos nas cidades próximas a São Carlos e os pais acompanhavam em caravana para apoiar os filhos. Laurinha  ganhava destaque a cada jogo, era sempre escolhida como a melhor, como revelação, driblava a todos, mas não conseguiu  driblar o carma de ser sempre vice campeã. Mas isso não a desanima e nós torcemos para que no próximo mundial feminino, Laurinha esteja lutando pelo título vestindo a camisa “canarinho”. Como nada dura a vida toda, a turma foi se separando, cada um tomando seu destino e o Sr. Rogério Pereira, responsável  projeto social  ADESM onde tem uma escolinha de futebol e Laurinha foi convidada para treinar, encantado com o futebol da menina Laurinha ficou no time conquistando o carinho e o respeito de todos.
Entretanto às vezes Rogério tinha que lidar com o preconceito de alguns organizadores dos campeonatos, que alegavam que era futebol para meninos e ele rebatia dizendo que o regulamento não falava que meninas não podiam jogar. ” Uma história engraçada foi na Copa de Dourado SP, ao descer da Arquibancada (eu Lauro) ouvi  dois senhores apostando uma caixa de cerveja, um apostava que era uma menina que estava com a camisa 10 e capitã do time e o outro falava que não, jogando daquele jeito não poderia ser menina, talvez como o jogo foi à noite e a iluminação era muito ruim, a visão era prejudicada mesmo”.
Esta é uma das muitas histórias da vida dessa jovem que com certeza deveria fazer parte do “VISIBILIDADE PARA O FUTEBOL FEMININO” no museu de São Paulo.
Um recado meu para Laurinha, o futuro é feito por nós, o preconceito faz parte dos que não têm perspectiva de futuro. Eu passei por isso também, quando comecei minha carreira de árbitra de futebol.
Siga em frente sem prestar atenção no que falam, você sabe o que faz, o que quer e  ama o futebol. Parabéns a você, a sua mãe, seu pai e seu irmão por apoiarem seu sonho.
E tenha em mente que: o sonho acaba quando a esperança morre, (meu slogan). Tenha em mente que você encontrará muitos espinhos nesta carreira, mas no
meio deles estão as rosas. Laurinha está no face com o nome de Laurinha 10.

Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.

Léa Campos
www.millenniumfutbolfemenino.com


Social Press . 27/08/2015

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1 Comment

  1. É isso, pra frente menina

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