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Léa Campos: Pioneirismo de Luto

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equipe-radio-mulher-leaÉ muito triste quando temos que dar adeus a alguém com quem convivemos, mesmo que por pouco tempo.

Já tive a oportunidade de falar em minhas crônicas sobre a Rádio Mulher, uma emissora onde somente os donos eram homens, até para dirigir os carros era mulher.

Na década de 70 nascia a pioneira em transmissões esportivas em especial o futebol.

Tive o privilégio de fazer parte da equipe pioneira que contava com as seguintes integrantes:

Zuleide Ranieri, (narradora), Jurema Yara (comentarista), Germana Garilli

(repórter de campo), Regina (responsável pela técnica no campo e na rádio), “Tia” Tereza (nossa motorista) e eu nos comentários de arbitragem.

Zuleide nasceu em Fortaleza de Minas, mas foi criada em São Paulo, torcedora do Atlético Mineiro e do São Paulo.

Zuleide agora vai narrar os jogos entre os anjos.

Faleceu na semana passada em São Paulo vítima de infarto.

Zú, como era carinhosamente chamada, deixou marcas indeléveis.

Sua forma de abrir as jornadas parafraseando outro grande narrador Fiori Gigliotti (Jovem Pan) “Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo” deixou de ser ouvida ainda na década de 70 quando a emissora foi vendida e o novo proprietário não manteve a equipe feminina apesar do sucesso entre o público e os empresários.

Ela é responsável pela frase que imortalizou o goleiro Leão, segunda ela “o goleiro das pernas mais bonitas do futebol”.

Não posso me esquecer de um episódio que aconteceu quando um tarado atacou uma colega, que fazia um programa noturno e saia de madrugada da emissora.

A polícia foi acionada e os policiais ficaram na Rádio por alguns dias na esperança de prender o indivíduo, o que nos deixava tensas e nervosas.

Foi Zuleide que nos tirou do abismo, sem mais nem menos ela desceu para a rua, e no meio das árvores que havia em frente ao prédio da Rádio, na Granja Julieta em Santo Amaro, ela começou a gritar: “Socorro, socorro, me ajudem”, descemos todos apesar da oposição dos policiais, e perguntei a ela “o que aconteceu Zú?”

“Onde está o tarado? Por que não aparece?”  Apesar do nervosismo do momento, a atitude e irreverência da colega nos descontraiu e diminuiu a tensão em que estávamos.

Sr.Montoro, proprietário da Rádio quis puni-la, mas intercedemos por ela, inclusive os policiais e tudo voltou à normalidade.

Essa era Zuleide, séria quando o momento o exigia, mas descontraída quando era necessário.

Todas que fizemos parte da Rádio Mulher e que tivemos o privilégio de conviver com ela sentiremos falta de suas brincadeiras.

Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo, digo eu.

Que Deus a receba em sua Santa Glória e dê a ela o descanso necessário.

Meus pêsames ao Paulo e muita fortaleza para que a netinha dela entenda a ausência da vovó.

OBS: Na foto da esquerda para a direita: Léa, Zuleide, Germana, Jurema Yara e Regina.

 

Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.

Léa Campos’


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