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Léa Campos: Minas, Berço do Pioneirismo

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Existem muitos pioneirismos nascidos nas Minas Gerais, sou um deles, mas não sou única,ainda bem. Em minha época muits foram as mulheres, inclusive em meu estado e em minha cidade que tentaram me seguir, infelizmente não aconteceu. Talvez pela proibição muitas desistiram de seguir em frente. Minha teimosia me conduziu ao pioneirismo e graças a isso hoje existem muitas mulheres no futebol em todas as ramos, o que é ótimo. Hoje nos deparamos com o falecimento de Marilene, chamada ” A Moça do Flamengo” depois de participar do programa de Blota Jr. :Vença o Vencedor”. Os meios insitem em dizer que ela foi a primeira mulher a falar sobre futebol, em minha opinião com todo respeito ela falou sobre a vida de um time de futebol, como eu o fiz na mesma época na TV Itacolomy no programa “Seu saber e pra Valer” respondendo sobre Regras de Futebol ou como a Kenia Gosling respondendo sobre a Seleção Brasileira, Entendo que isso não significa ser a primeira mulher a ser jornalista de futebol. A copa de 70 foi transmitida pela equipe da Radio Mulher (SP) e quase ninguém menciona esse feito. Jurema Yara, Zuleide Raniere, Germana Garili e eu fizemos parte da única emissora brasileira formada apenas por mulheres. Todo o elenco da Radio Mulher, fundada em 1969, era feminino, o único homem era o proprietário Sr. Roberto Montoro. Marilene Dabus, mineira de Caxambu, morreu na semana passada aos 80 anos de idade, podemos honrá-la e homejageá-la de várias formas mas nunca como a primeira repórter esportiva. Uma coisa é falar sobre um clube outra bem diferente é entrevistar jogadores. Zuleide Raniera e eu fomos pioneiras em entrevistar jogadores nos vestiários. Não podemos esquecer o que foi feito naquela época, para dar vida ao trabalho de alguém que não teve dita participação. Danusa Leão casada com o dono do Jornal Última Hora, do Rio de Janeiro. Samuel Wainer acatou a sugestão da esposa e contratou Marilene para escrever uma coluna no jornal para a “Moça do Flamengo”. Não quero demeritar o trabalho dela, apenas não creio ser justo dar a ela um pioneirismo que não é dela. A revista Placa em outubro de 1971 listou Marilene como primeira repórter de campo, como podem afirmar isso se em 1979 nascia a Rádio Mulher. Sua vida sempre esteve atrelada ao Flamengo, tanto assim que em 1988, chegou a conselheira administrativa, sendo única mulher entre 99 homens na posição, foi ela quem batizou o centro de treinamentos do time como “Ninho dos Urubús” e em 2009 o time do coração dela a homenageou dando o nome dela a sala de imprensa do CT, ãos 70 anos ela se sentia orgulhosa com dita lembrança. Marilene era frequentadora das colunas sociais dos jornais pelo fato de ser oriunda de uma família abastada que morava em Ipanema. Ruy Castro menciona na Folha que a “Moça do Flamengo” entrevistou Zico ainda no juvenil, claro era parte do time, tinha carta branca para entrevistar qualquer jogador do clube de seu coração. Ainda segundo o jornalista , ela foi responsável pela acusação da corrupção de um presidente , o que proporcionou um processo por parte de dito presidente. Em 1971 foi anunciada como a grande contratação do Jornal dos Sports assinando grandes entrevistas, e para não mudar nada em seu curriculum tinha uma coluna sobre o Flamengo o que fez até assumir a coluna social, além de fazer o papel de entrevistadora no semanário. O Pasquim, por fim trabalhou na Rádio Globo, na TV Tupi e na TV Continental, continuou nas redaçãoes dos jornais ate 1972 quando passou a atuar mais na televisão. Que abriu alguma porta nao podemos colocar dúvida, o que não podemos e titulá-la como pioneira, porque antes dela ser repóter existiram outras. Em todas as notícias sobre Marilene, nao consta que ela trabalhou em locução radifônica sobre futebol. Deixo aqui meus sentimentos pelo falecimento da “Moça do Flamengo”.


Social Press . 23/01/2020

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