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Léa Campos: Dando as cartas no Bayern de Munique

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Sabemos que nós, as mulheres, enfrentamos muito preconceito e rechaço para conquistarmos nosso espaço, seja qual for o ramo. Evidentemente que para ser ama de casa nunca enfrentaremos nenhum obstáculo, pois nos rotularam como domésticas desde o início de nossa existência, entretanto a rebeldia sempre se faz presente.

Graças a essa rebeldia, hoje as mulheres ocupam os mais variados postos no mundo, independente se antes eram ocupados somente por homens.

Hoje temos juízas nos tribunais, mulheres ocupando os mais variados cargos na política, na medicina, enfim a mulher de hoje já não é vista apenas como reprodutora.

No esporte não poderia ser diferente, temos mulheres na arbitragem, dirigindo equipes como técnicas e ocupando os mais variados postos dentro dos campos, não somente no futebol, mas em todos os esportes.

Domingo, uma mulher nos chamou a atenção no banco do Bayern de Munique. Uma mulher loira, para acabar com o estigma de que se for loira e bonita, é burra. Kathleen Kruger, mostrou todo o contrário.

Ela percebeu desde de criança que seu mundo era o esporte. Além de ter jogado na equipe feminina do Bayern, praticou caratê, sendo inclusive chamada para a seleção alemã da arte marcial, mas no coração dela batia uma bola de futebol, “O espírito de equipe fez diferença, eu sempre me senti em casa”, declarou a ex meio-campista.

Como meio-campista, fez sua estreia em outubro de 2004, vencendo Wolfsburg na Bundsliga, mas achou que poderia ser mais útil atrás dos gramados, “Pendurei minhas chuteiras aos 24 anos porque eu ganhava pouco dinheiro para muito esforço”, justificou Kruger.

Em 2009 estudou Gestão Internacional e trabalha no ramo de logística do time feminino da equipe de seu coração, o Bayern.

Hoje ela é diretora da equipe, mas passou a fazer parte do Bayern de Munique em 2003 com 18 anos.

Seu amor pelo time veio de casa. Quando mais jovem, o time alemão mandava em casa com o pai e o irmão mais velho. “Os dois são grandes torcedores do Bayern, isso certamente reforçou minha decisão de viver do futebol, isso fez minha paixão ficar mais forte”.

Na época Cristian Nerlinger acabava de assumir o cargo de diretor de esporte e procurava um assistente. Kruger comenta que o Bayern tinha uma equipe reduzida comparando com os dias atuais e o presidente do clube, Uli Hoeneb perguntou se ela gostaria de assumir a posição.

“Fiz minha inscrição e em três meses consegui o emprego, sempre quis trabalhar no esporte, mas eu era muito realista desde o início, sabia que o ramo era bastante atraente e haviam poucos empregos para muitos candidatos. Poder trabalhar com esporte e no meu clube é como ganhar um prêmio”.

Em 2012, quando Cristian deixou o cargo assumiu Mathias Sammer, essa movimentação teve uma enorme consequência: Kruger foi promovida a gerente geral da equipe, um cargo de muita responsabilidade e que exigiria dela muita dedicação, o que pelo amor que ela tem pelo clube não seria difícil.

Ela é responsável por todo procedimento de organização desde então, coordena viagens, treinos e até garante que as dietas sejam cumpridas, além de ser um elo importante entre jogadores e diretoria, foi ela que se encarregou para que não faltasse nada na casa dos jogadores no período da quarentena durante a pandemia.

Se o trabalho dela é importante para o campeão da Europa, quem passou pelo clube opina: “É ela que mantém a equipa unida, não importa que problemas possamos encontrar”, diz Thomas Muller; “Sem ela, provavelmente metade dos jogadores ficariam perdidos”, disse Franck Ribery.

Pepe Guardiola tentou levá-la para o Manchester City, enquanto Jupp Heynkes, em 2012 quando o cargo de diretora esteve sob risco, o comandante da tríplice coroa Bavária ameaçou deixar o clube se ela saísse.

Por determinação e muito trabalho, domingo dia 23 de agosto Katheen Kruger se tornou a primeira mulher no mundo a conquistar sua segunda tríplice coroa como gerente de uma equipe profissional na Europa.

Parabéns à Kathleen por representar-nos e colocar a mulher onde ela merece estar, se podemos ter um filho não há nada que não possamos fazer.

Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.

Léa Campos


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