Existem profissões que carregam a periculosidade sem ter como oferecer reação. Uma delas é a de árbitro de futebol, que por ética e responsabilidade não pode agredir e muitas vezes não consegue nem mesmo defender-se. Passei por algumas experiências desse tipo quando tive que apitar na várzea para fazer colocar a teoria em prática.
Foi muito difícil, porque os campos eram abertos, sem policiamento e não contavam nem mesmo com os chamados bandeirinhas (auxiliares). Enfrentei torcedores com facão em punho e graças a Deus nunca chegaram à vias de fato, mas o perigo era latente. Não era apenas na várzea que corríamos risco, me lembro de um jogo que fui apitar no interior e ao marcar um pênalti, um torcedor todo elegante, a quem chamavam de “coronel” entrou em campo exibindo-me seu revólver na cintura, dizendo que deveria cobrar a falta na outra área e não contra o time dele, caso contrário eu não teria tempo de contar o que aconteceria.
Por ser um jogo de campeonato, chamei a polícia, que no início se se negou a entrar em campo, mas acabou acatando meu pedido e tiraram o valentão de dentro do gramado. A falta foi cobrada e o time do tal “coronel” perdeu de 5×1. Hoje, tristemente, vimos um árbitro ser agredido por um treinador de uma escola de futebol, num jogo de crianças. O fato ocorreu dia 17 passado, em Viana, Vitória, quando o árbitro Jeferson Nunes Vieira, foi covardemente agredido e mesmo depois de
perder os sentidos, o agressor continuou chutando-o. Em depoimento prestado, Jeferson declarou: “Tive um edema e uma luxação na perna, quadril e rosto, é a primeira vez que acontece isso comigo, estou transtornado pelo que aconteceu, nunca pensei em passar por isso”.
O agressor foi preso e o agredido foi hospitalizado, este pseudo professor de futebol, não pode continuar como tal, por não saber contornar sua ira e não saber perder, é o exemplo dado para as nossas crianças sob seu mando e bastante negativo. Quando se entra nesse tipo de trabalho, sabe-se que perder faz parte do jogo e ser valente, além de não resolver nada, deixa o espetáculo manchado. Futebol é alegria, é vida, e precisa ser monitorado com responsabilidade para evitar que outras crianças caiam em mãos de homens (?) como este. Outro caso lamentável ocorreu em Cotia, Grande São Paulo, quando o árbitro foi covardemente agredido por jogadores da equipe do Grêmio,
Esperamos que os agressores sejam identificados e punidos exemplarmente. Não podemos permitir que em pleno Século XXI ocorram fatos tão deploráveis como este comportamento que deve ser punido, tanto na esfera esportiva, mas principalmente na esfera civil, somente assim conseguiremos pelo menos diminuir tanta agressividade no esporte mais popular do mundo. Se pretendem brigar, entrem num ringue de lutas, não num gramado de futebol, já se sabe que este triste espetáculo foi promovido por jogadores do Grêmio e pelas fotos publicadas pela imprensa, não será difícil identificar os valentões. Um erro não justifica outro, se o árbitro errou busque seus direitos nos tribunais não na valentia.















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