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Léa Campos: Difícil, Mas Não Impossível

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É difícil se impor numa profissão que leva o carimbo de masculina, mas não é impossível conquistar nosso espaço sempre e quando nos propomos a enfrentar toda e qualquer adversidade.

Quando iniciei no mundo da arbitragem enfrentei uma gama de dificuldades, quem menos me apoiava eram as mulheres, por incrível que pareça.

Quando se faz o curso de árbitros, temos que apitar jogos amadores, para praticar, que são jogados em campos de rua, sem policiamento e sem auxiliares.

É o árbitro contra tudo e todos.

Não foram poucas as vezes que tive que enfrentar torcedores armados com facão e até arma de fogo, mas não foi suficiente para me desanimar, ao contrário foi um motivo a mais para continuar lutando pelo meu sonho que era ser árbitra de futebol.

Minha teimosia e destemor me levaram a converter-me em pioneira na arbitragem a nível mundial.

Agressões aos árbitros continuarão existindo se as autoridades não tomarem uma atitude séria.

Segundo as leis que regem o futebol, quando um árbitro é agredido por um jogador, este deverá ficar afastado dos campos por um ano, se for por torcedores é um ato criminoso e como tal deve ser tratado.

No Brasil tivemos dois casos que marcaram a pauta, César e Brito, que foram afastados por um ano.

Semana passada tivemos um caso no México, divulgado pela AMA (Associação Mexicana de Árbitros), que divulgou o fato da juíza Rosa Ângela Garcia, pertencente ao quadro de árbitros, ser agredida em um jogo amador naquele país.

Rosa foi ferida na cabeça provocando sangramento e foi atendida pela equipe médica de um dos times.

O fato está sendo investigado e não se sabe até agora, o que provocou dita agressão e as autoridades esperam encontrar o agressor para puni-lo criminalmente.

É um absurdo que um esporte que apaixona a tantos esteja se transformando em arma para agredir física ou moralmente.

No domingo tivemos mais um clássico do futebol mineiro, uma vergonha a atitude dos atleticanos em colocar faixas com as cores do arco-íris com os dizeres: ” Sejam bem-vindas”.

É uma forma de provocar os adversários que não deveria caber no esporte.

Num momento tão conturbado como o que estamos vivendo politicamente, o que deveria ser um prazer está afastando os torcedores dos eventos futebolísticos, são provocações que levam alguns torcedores a agirem de maneira agressiva com os torcedores da outra equipe.

Creio ser um erro levar os clássicos mineiros para o Independência, o conforto não é o mesmo, não existem vagas suficientes para quem vai de carro, a precariedade de ônibus, além da hostilidade dos moradores no entorno do estádio que em sua maioria são atleticanos.

Os homens que mandam no esporte devem rever a possibilidade dos clássicos serem jogados no “Mineirão”, afinal é o clássico das multidões, que os torcedores possam comparecer sem as restrições que fazem na venda de ingressos, são todos mineiros e merecem assistir os jogos de seus times com mais conforto e menos agressão.

 

Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.
Léa Campos


Social Press . 06/07/2017

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