Sabemos que o momento político na Venezuela é confuso, em que um governante não respeita as instituições e o povo. Desde março o país vive em constantes enfrentamentos entre a polícia e o povo, que está passando fome devido aos conflitos e mais de 100 pessoas foram mortas pelo sistema. Entretanto não me aterei a esse problema, afinal é dever dos venezuelanos e não meu buscar soluções pacíficas para resolver o problema.
O que não posso aceitar é que o futebol tome parte do confronto com atos que podem ter consequências sérias. Recentemente em um jogo entre o Deportivo Lara e o Deportivo Anzoátequi foi pedido ao árbitro que se observasse um minuto de silêncio para honrar as vítimas que morreram em defesa do país. A surpresa veio quando o árbitro Marlon Escalante, pertencente ao quadro da FIFA se negou a aceitar a solicitação e apitou o início do jogo normalmente.
Apesar da autorização inicial, os jogadores das duas equipes tomaram uma decisão emocionante se recusaram a obedecer a ordem do árbitro permanecendo parados e em silêncio.
Sem graça o juiz voltou à sua posição inicial até que os jogadores decidiram iniciar a partida em meio aos aplausos dos torcedores presentes.
Foi uma atitude elogiada em todo o mundo pelas redes sociais, onde não faltaram críticas ao árbitro pela falta de sensibilidade.
Incrivelmente os comentaristas da TV ignoraram o ato e sequer mencionaram que o minuto de silêncio observado pelos atletas era em homenagem aos mortos nos protestos, o que evidencia a força política de Maduro para encobrir a selvageria que ocorre no país. ” O minuto de silêncio foi em nome dos mortos nesse período trágico que vive o país, os jogadores se juntaram para mostrar que estamos unidos e que em campo nós decidimos o que queremos”, comentou Gabriel Cichero, que joga no Deportivo Lara.
Não é necessário ir para as ruas arriscando suas vidas para mostrar que o país não comunga com esse tipo de governo. Liberdade e democracia sim, autoritarismo e ditadura não.
Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.
Léa Campos















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