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Léa Campos: Continua o Preconceito

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Conseguimos nos fazer notar, mas não conseguimos acabar com o preconceito machista dos brasileiros. Depois de exigir que as árbitras tivessem o mesmo índice dos homens nos testes físicos para apitar jogos da série A do Brasileiro, nenhuma mulher foi escalada para apitar futebol masculino, mesmo sendo aprovadas nos testes.

Edina Batista (38) e Deborah Cecilia (32) são apontadas como as melhores árbitras do Brasil e possuem o índice de aprovação desde 2016, entretanto não foram levadas em conta.

Sempre falta alguma coisa, como alega o Coronel Marcos Marinho, chefão da comissão de arbitragem da CBF: “Faltam detalhes para que as mulheres apitem na Série A, Edina e Deborah progrediram muito na parte física e sabem se movimentar em campo.

Agora precisam firmar o nome, amadurecer um pouco mais, já que a Série A é muito mais exigente em termos de cobrança em razão da visibilidade. Elas devem apitar mais jogos da Série B e, se corresponderem, devem apitar na primeira divisão”.

A última vez que uma mulher apitou um jogo na elite foi em 2005, quando Silvia Regina, (53) hoje na comissão de arbitragem da FPF, dirigiu o jogo entre Fortaleza e Paysandu, pela 32ª rodada.

A exigência que obriga as árbitras a terem o mesmo índice físico dos homens foi feita pela entidade em 2007 e implantada em 2008.

10 anos se passaram e nada mudou.

No teste exigido pela entidade, as candidatas precisam realizar 6 tiros de 40 m abaixo de 6s, correr 75 m em 15 segundos e na sequência caminhar os 25 m restantes da pista em 20s, sendo que as duas últimas marcas precisam ser repetidas 40 vezes.

Com isso a Comissão de Arbitragem, busca a igualdade com os homens.

No momento são 8 as árbitras que possuem tal índice: Beatriz Dantas, Katiuscia da Mota, Elaine da Silva Melo, Rejane Caetano, Regildenia Moura, Thaysiane de Melo, além das duas já mencionadas, sendo que Regildenia, Rejane Edina e Deborah possuem o escudo da FIFA, o que as identifica com o alto grau da arbitragem.

A CBF registrou um alto número de mulheres que tentaram a qualificação, em 2015 apenas duas árbitras do quadro tentaram fazer o teste e não conseguiram passar. Em 2016 foram 8 tentativas e 4 conseguiram a aprovação. No ano passado de um total de 11, 8 conseguiram passar. Atualmente o quadro feminino da CBF conta com 17 árbitras, as 9 que não conseguiram o índice apitam na categoria de base e em competições femininas. Além das 8 mulheres com índice para elite, 42 homens estão aptos. No ano passado 37 foram escolhidos para trabalhar na Série A.

No que refere às assistentes com índice masculino, o número é bem maior, sendo que ano passado 26 conseguiram aprovação, mas somente duas trabalham no Nacional: Neuza Ines e Tatiane Sacilotti. Não é somente a avaliação física o que conta, os árbitros e árbitras também são avaliados por performance em campo, análises técnicas e condições psicológicas. Os aprovados trabalharão como 4º árbitro em competições femininas e de base, até atingirem as divisões inferiores do Brasileiro, a seguir exercem as funções nas Séries B e A do Nacional.

Segundo Tite, a força muscular e a velocidade da mulher fazem com que ela não possa acompanhar os homens, é mais um machista brasileiro.

Me parece ouvir a célebre frase de Havelange quando disse que a estrutura óssea da mulher é inferior à do homem e por isso não podia me aceitar como árbitra, com um atestado da medicina legal do Rio de Janeiro, joguei no chão os argumentos dele.

A maior e pior alegação dos homens para nos barrar é que erramos, acaso os homens são infalíveis?  Se esqueceram dos pênaltis mal contados do Armando Marques numa final paulista que levou a entidade máxima do futebol no Brasil (CBF) a declarar dois campeões? Se esqueceram dos inúmeros gols de mão mantidos pelo mesmo árbitro, além dos pênaltis não marcados e gols anulados injustamente?

A Alemanha sai na frente de todos, é o único país da Europa, até agora, a escalar mulher para apitar jogos masculinos, a prova disso foi a escalação da árbitra Babiana Steinhaus que ano passado se tornou a pioneira europeia a apitar um jogo masculino da elite, dirigindo o jogo entre Hertha e Werder Bren, pelo campeonato alemão.

Será que vamos permitir outra goleada dos alemães? Temos que evoluir e apoiar as mulheres que levam a arbitragem no futebol a sério.


Social Press . 08/02/2018

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