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Léa Campos: Sobrevivente

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É quase impossível acreditar em tudo que me foi imposto no UPA Centro Sul e na Santa Casa em Belo Horizonte. Muitos buscam respostas para entender o que acontece com a Covid-19 e ninguém consegue descobrir. O que vivi em 17 dias convivendo com pessoas que testaram positivo responde a todas as perguntas. Tomei as duas doses da Pfizer e fiz dois testes de Covid-19 para viajar ao Brasil. Os dois testes, de laboratórios diferentes deram negativo, evidentemente que se fossem positivo o governo daqui não me permitiria viajar, pois esse era o protocolo.

Depois de largas horas de espera no aeroporto, embarquei às 10h00 PM no avião da United para Belo Horizonte com conexão em São Paulo, chegando em meu destino final as 11h45 AM. Depois de tanto tempo sentada, cheguei em BH com os pés e as pernas bastante inchados, o que fez com que uma amiga me levasse a uma consulta numa clínica particular, onde foi sugerido a ida ao UPA, onde fiquei internada portando uma pulseira alaranjada, que indicava positiva para Covid-19. Mostrei o atestado de vacina e os resultados negativos dos testes feitos em New York e mesmo me submetendo a outro teste no local, que como os primeiros deu o resultado negativo, me mantiveram naquela enfermaria onde todos eram positivos.

Vi pessoas serem intubadas e outras morrerem e eu na impotência de não conseguir convencer a médicos e enfermeiros que eu era negativa e que o melhor era me dar alta, ou me colocar numa enfermaria sem riscos. Depois de muita briga e colocar a mídia no meio, me levaram para uma enfermaria da Santa Casa, onde fiquei internada sem ter como me comunicar com minha família. Fui submetida a todo tipo de tomografia para ver se tinha algum indício do vírus. Todos os exames deram negativos: trombose pulmonar, água nos pulmões, trombose nas pernas, edema pulmonar e exaustivos exames cardíacos, este acusando taquicardia, que é realmente meu problema. O pior desses exames, e que avisei ao doutor que sou alérgica a iodo e que deveria providenciar um antídoto para fazer ditos exames.

O médico com toda a “simpatia” ou arrogância respondeu: “pobre não tem alergia”, resultado me envenenaram com iodo, o que ficou comprovado devido as fezes negras que foram observadas durante 6 dias. Meu desespero só aumentava e não via saída. Me ocorreu mentir ao médico, já com ameaças de reembolso, que meu retorno seria daí a 2 dias e que ele arcaria com o custo de outra passagem, pois não resido no Brasil e sim em New York. Foi o que me salvou, pois me deu alta, exigindo que eu providenciasse um cilindro de oxigênio, o que não foi difícil, pois meu amigo proprietário da Implantar, implantes dentários, Dr. Dilson Pockel, me emprestou o cilindro e pude deixar aquele local a que chamam de Santa Casa de Misericórdia, e que renomeei como Santa Casa Sem Misericórdia. Tenho que agradecer a Paula e ao Isaias pelo carinho e dedicação com que me trataram. O importante de tudo isso, e a conclusão a que cheguei: devem estar ganhando muito para eliminar pessoas com idade acima dos 60 anos, pois durante os dias que estive internada não presenciei a morte de ninguém com idade inferior a essa. Todo cuidado é pouco, pois pior que o vírus é a falta de conhecimento dos médicos e das pessoas que fazem a triagem dos que ali chegam com qualquer problema. Sou sobrevivente da Covid-19? Não. Sou sobrevivente da falta de preparo, da arrogância e da ignorância dos que deveriam cuidar de nossa saúde evitando um mal maior e acabam nos colocando em perigo de morte. Morrer por uma invenção de certos médicos. Quero pedir aos que lerem esse relato, que se vacinem, pois será a única medida que podemos tomar para nos livrar do coronavírus. Sobreviver com chance de uma vida normal só será possível com a vacina.


Social Press . 9/7/2021

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Claudia Garzesi: Nós na América . 9/7/2021

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