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Léa Campos: Ser Mineiro

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Sou Mineiro! (JUNIOR BRASIL – RÁDIO ITATIAIA – BH)

Esses dias vi o secretário de Cultura e Turismo do governo de Minas, Leônidas Oliveira, falando em um evento que todo mineiro gostaria de ser carioca. Fico incomodado com este tipo de fala. Em nenhum momento ele me representa e tenho certeza, muitos pensam como eu. Nós mineiros gostamos de praia, seja no Rio, no nordeste, no Espírito Santo e até no sul do Brasil, porém, isso não nos faz querer ser cariocas. Temos identidade própria.

Nossas cachoeiras e parques são únicos, seja perto de Belo Horizonte ou em outras cidades. Temos a Serra do Cipó, Rio Acima, Diamantina (de tanta história, serestas e cachoeiras), Serro, Milho Verde, a Casca D’ Anta, que é a maior queda do rio São Francisco, o Parque do Caparaó e, na minha querida Lima Duarte, o deslumbrante Parque de Ibitipoca. As estâncias hidrominerais em Araxá, São Lourenço, Caxambu e tantas outras, são apaixonantes e revigorantes. E como não citar o cavalo mais confortável do mundo, nascido no Sul de Minas? O Mangalarga Marchador. Adoro o mar, mas escolho nossas abençoadas cachoeiras. A riqueza de nossas cidades históricas, como por exemplo, Ouro Preto, Sabará, Tiradentes e São João Del Rei, compõem algumas das nossas “praias”, somadas à famosa hospitalidade mineira. Na arte é obrigatório falar de Aleijadinho e suas obras. E não podemos esquecer dos geniais Carlos Drummond de Andrade, João Guimarães Rosa e Ary Barroso. Pensando em voos mais altos, Santos Dumont, único pelo que fez. Temos também o Grupo Corpo, que ganhou o mundo, assim como a banda Sepultura. Na política e na história temos grandes nomes como Dona Beja, Tiradentes, Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves. Na medicina, Ivo Pitanguy, uma referência mundial e no amor, o coração gigante do Chico Xavier. Quando vamos para a nossa musicalidade, mostramos força e uma força da natureza veio do Rio de Janeiro e se transformou em ouro mineiro, o Milton Nascimento. Neste caso, temos que agradecer aos cariocas. No mágico bairro do Santa Tereza, o Clube da Esquina, e o “Beatle” Beto Guedes. Tem ainda o Skank, o Jota Quest e um fenômeno da música instrumental, Toninho Horta.

E nem preciso me estender no campo dos esportes, apesar da força do ciclismo e suas trilhas, os esportes radicais, alguns praticados nas “ondas” de nossas pedras e outros decolando no mar das montanhas, basta falar: Pelé, o maior. Ele tem “Três Corações”, o dele, os dos mineiros e o do mundo. E para fechar, temos o queijo e o pão de queijo. Comer queijo tomando café, que “trem bão”, no típico linguajar mineiro. Nossas riquezas e cultura não ficam só nisso, destaco o sabor dos pratos que alimentam a alma: a feijoada, a carne de sol serenada, o tropeiro, a galinhada e adoçando tudo, o melhor doce de leite do mundo: o de Viçosa. Se eu quero ser carioca? Chance zero. É mais fácil o carioca se aventurar nas montanhas de Minas, do que o contrário. Tudo que falei compõe a essência da mineiridade, por isso, secretário, sou Minas! Não podemos nos esquecer da matriarca mineira Dona Joaquina de Pompeu, bem como Maria de Tangará (Pitangui) e nossa grande pintora e professora de artes Yara Tupinambá, que Montes Claros exportou para o mundo com seu trabalho impecável.

Ser mineiro não é apenas ser de Minas Gerais, é ter orgulho de ter tido o privilégio de ter nascido neste estado. Ao que parece, o titular da pasta de Cultura e Turismo, queria dizer que ele gostaria de ser carioca, pois que mude para o Rio de Janeiro e não volte mais à nossa terra. Minas precisa de mineiro com sangue mineiro, verdadeiro e não de falsos mineiros como Leônidas Oliveira. Junior Brasil disse tudo que esse secretário precisava ouvir, e se precisar poderíamos dizer mais. Leônidas não pode julgar todos por ele. Falar “uai, trem bão etc.” é para quem sabe falar o idioma mineirim e ele só fala com X no final das palavras. Ser mineiro faz com que trupicamos, mas num caímos. (Lea Campos)


Social Press . 12/11/2021

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